Blog da Profa. Marta Alves dos Santos

Anos Finais

A reforma agrária que impulsionou o Sul

Trajes típicos gaúchos. Foto: Arquivo NacionalOs bons índices econômicos e de desenvolvimento da região Sul, em geral melhores do que a grande maioria do Brasil, são com frequência citados por quem acredita que esta parte do país é excepcional e até mesmo superior aos outros Estados brasileiros, o que por vezes alimenta atitudes apontadas como xenofóbicas.

Foi o caso dos influenciadores catarinenses Jenifer Milbratz Stainzack e Cleiton Stainzack, que viralizaram em julho deste ano com um vídeo em que ditavam "regras" para quem deseja morar no seu Estado — que, segundo eles, tornou-se o "novo sonho de consumo dos brasileiros". Pouco antes do vídeo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) havia divulgado dados mostrando que Santa Catarina se tornou o principal destino de migrantes de outros lugares do país. "Se vier com jeitinho ou corpo mole, volta enquanto é tempo", disse o casal, que é de Pomerode, conhecida como a "cidade mais alemã do Brasil", por conta da imigração germânica para lá. Em outro trecho, eles disseram que a esquerda "nunca governou" Santa Catarina e que o "assistencialismo estatal" não teria vez no Estado.

De um modo muito simplificado, é possível classificar a colonização do Sul ocorrida do início de meados do século 19 ao início do século 20 no formato que costuma ser classificado como ocupação para "de povoamento" — em contraposição à colonização para exploração, que chegou antes a outras regiões do Brasil. Esse "povoamento" do Sul foi feito por imigrantes principalmente do que hoje é a Alemanha e a Itália, mas também são relevantes as comunidades de origem polonesa, ucraniana e russa. "A questão não é quem colonizou, mas o modo de colonização que foi feito", diz à BBC News Brasil o historiador Sergio Ribeiro Santos, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Autor do livro A Política de Colonização do Império, o historiador Paulo Pinheiro Machado, professor na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destaca que os imigrantes europeus ganharam terras cedidas pelos governos — primeiro durante o Império e depois na República. Além disso, as autoridades forneceram auxílio e subsídios para a instalação desses colonos nos primeiros meses de chegada, aponta o historiador. Foram produzidos ainda manuais para que esses europeus entendessem que lavrar a terra brasileira significava trabalhar em outras condições. O próprio Machado, por exemplo, encontrou um material escrito por um engenheiro francês que dizia: "Esqueça tudo o que você sabe sobre agricultura europeia".

O professor explica que os imigrantes europeus se apropriaram de técnicas dos povos nativos do Brasil e também de descendentes de levas migratórias anteriores. "Ao invés de insistir [em teses que se baseiam] no supremacismo, a pesquisa atual vem notando que [o sucesso dessa imigração é porque] houve um aprendizado mútuo entre imigrantes europeus e a população nacional", comenta o historiador. O historiador Victor Missiato, pesquisador no Instituto Mackenzie, compara a colonização do Sul à de outras partes do Brasil, onde o objetivo era a produção para exportação, com um modelo baseado no trabalho escravo e em grandes lavouras.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwywd01pxr7o

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